23 de out. de 2015

A AUTOSSUFICIÊNCIA É PURA BESTEIRA

-Mas você vai morar sozinha? Assim… Sozinha sozinha? Sozinha mesmo?
- …
- É que me parece estranho, você que sempre clamou amor por todos os cantos, de repente querer ficar sozinha…
Não foi de repente. Meu apartamento é cheio de amor. E eu não estou sozinha. Muito de tudo que eu sou, não sou eu, e é por isso que está tudo bem. Tem tanto de tanta gente dentro de mim que minha autossuficiência acaba sendo totalmente falsa. 
Alguém autossuficiente é alguém capaz de dizer “Eu me basto. Eu mesmo. Eu sozinho. Só eu. Euzinho”. Soa um pouco egoísta, e acho que a graça da autossuficiência é essa, não basta de uma palavra gourmetizada para o egoísmo de querer viver por si só.
O que claramente não é meu caso.  
Hora ou outra eu me pego ajeitando os cabelos da mesma forma que minha mãe faz, batucando no volante do carro ao ritmo da música, igual meu pai costuma fazer ou até mesmo usando a ironia de um “É, beleza, claro” quando algo não me agrada, mania originalmente vinda de um amigo.
Além das influências óbvias, muito de mim é feito de tudo que eu escuto e leio por aí, Leminski, Drummond, Duvivier, Gessinger… Tenho tanto deles que às vezes posso jurar que sou eu que escrevo uma coluna para a Folha de São Paulo todo a segunda-feira de manhã, ou que fui quem teve a brilhante ideia de contar para o mundo que o papa, de fato, É pop. 
É por isso que a autossuficiência é uma besteira, não dá pra ser sozinho, tem sempre alguém - comigo, contigo, conosco e com todos os outros pronomes pessoais.

20 de nov. de 2014

ABOLIÇÃO DA ESCRAVIDÃO

Sempre fiquei imaginando como foi o dia da abolição da escravidão no Brasil.
Tenho certeza que na minha imaginação, as coisas foram bem mais bonitas, e talvez menos tristes.
Quero dizer, eu não duvido que, naquela época, os escravos tenham ficado felizes e tudo mais, mas convenhamos que eles estavam em uma situação delicada.

Ok, admito que este não foi o melhor exemplo que eu poderia ter dado, mas foi o que mais se aproxima da realidade atual da minha vida: O ensino médio acabou.
Sim, anjos descem dos céus, tocando clarinetes, arpas, guitarras, baterias e todos os outros instrumentos musicais possíveisFazemos uma festa, dançamos, nos abraçamos e eles sobem novamente <prometo que os exemplos ruins param por aqui, mas realmente, a sensação final é de estar abraçando um milagre divino>.

Iniciei o texto que quebra o hiatus do blog falando sobre a abolição da escravidão porque o meu primeiro sentimento com relação ao fim das aulas foi esse, eu me senti livre de verdade, o que durou pouco, mais ou menos meia hora, até eu chegar em casa e ouvir uma música em que o Leoni canta o seguinte verso: O que você pensou que era o final / É só o inicio do caminho. 

Pronto, bastou isso pra que a euforia da suposta Lei Áurea acabasse.
Leoni estava corretíssimo, não era o fim, não era abolição total, era na verdade o começo do resto da minha vida, por mais piegas que isso soe, acho que no final das contas é sempre assim, principalmente depois de um ciclo tão longo, como foi o período do colégio.

Nos últimos dias, eu, a matéria atrasada, os cadernos e apostilas notamos que nossa relação já estava saturada, estava mais do que na hora de aquilo tudo acabar. Não me entendam mal, foi divertido, foi bom enquanto durou, vou levar lindas lembranças dos últimos anos mas acabou.

Ou começou?

30 de abr. de 2014

O JUÍZO

Meu dente do siso começou a nascer dois dias depois de eu ter completado dezoito anos, neste último final de semana, e toda a felicidade que eu estava sentindo deu lugar a uma dor irritante e insuportável.
Chorei, fiquei brava, xinguei minha pobre dentista inúmeras vezes sem saber o que estava acontecendo (fica aqui meu pedido de desculpa para Dra. Cleusa, sei que não foi fácil me suportar) até que, na tarde de segunda-feira, me deram parabéns e boas-vindas a vida adulta: Meu "dente do juízo" está se formando.
Chatisse - foi a primeira coisa que pensei. Quem disse que é um dente que me trará juízo? Ou melhor, quem foi que disse que eu já não tenho juízo?
Talvez essa ultima pergunta seja respondida por inúmeros atos dos últimos dezoito anos que não vem ao caso nesse momento mas, querendo ou não, foram perguntas que martelaram em minha cabeça em meio a uma noite de insonia causada por esse dente.
Levantei as três da manhã e fui procurar saber porque isso tudo acontece, descobri que o siso é uma coisa extremamente desnecessária em tempos modernos, a dor é causada por uma questão de falta de espaço e leva esse nome que tanto me incomoda por "despontar" no inicio da fase adulta, quando, teoricamente, criamos o tal juízo.
Por fim, eu tomei alguns remédios para aliviar a dor e estou e stand-by para finalmente tirar isso de mim, não me levem a mal, mas não acho justo com minha independência, que acabou de começar, já ser presa por esse maldito siso que não foi nem um pouco bem-vindo.

23 de abr. de 2014

PARA O MEU CLÁSSICO

Olá, estranho.
Soa engraçado que, depois de 366 dias (completos nessa quarta-feira que se iniciou chuvosa), eu só saiba o seu nome?
Queria não falar sobre isso hoje, mas é difícil, afinal, somos nós, é pano pra manga que não acaba mais, mas disso só a gente sabe. 
O que eu queria te dizer é que eu tô bem, acho que depois de tanto tempo eu finalmente entendi que você não era a solução, você só era a parte bonita do problema, aí fazia tudo parecer mais fácil quando estava por perto. 
Ontem eu lembrei de você, li uma frase que resumiu todo esse nosso último ano: 
"Tem tudo pra dar certo, mas a gente só sabe fazer dar errado."
A gente fez tudo errado, desde o principio até aquele último abraço sem jeito. Nós fomos uma montanha russa, daquelas que dão o melhor tipo de frio na barriga no começo, mas depois assustam, assustam porque na verdade, você não espera cair, sempre tem aquele pingo de esperança que a brincadeira vai ser só uma subida infinita, mas não é, e quando o primeiro carrinho caí, o resto vai junto, é pura física. 
Então a física fez seu papel, o destino também e tudo que estava indo direito, de repente, numa curva acentuada e mal sinalizada, foi para esquerda e assim a gente se perdeu. 
Eu e você não éramos mais nós, e pouco tempo depois, você virou vocês. Virastes plural e eu me reservei no singular, quando penso nisso, sinto uma parcela de culpa, as crônicas/contos/cartas agora parecem um incomodo, aquela coisa chata que te puxa pra um passado que você não se importa mais e não quer mais viver.
Mas você se lembra aquela coisa de "se você pula, eu pulo" do filme Titanic? É difícil resistir, é um clássico, clássicos valem a pena serem lembrados, assim como você.